Xiaomi: como a nova gigante chinesa quer dominar o mundo dos celulares

Saiba mais sobre a empresa que vende smartphones com alto padrão por um preço acessível.
 
 

Enquanto o nome de grandes empresas de smartphones vem facilmente à mente de várias pessoas, a Xiaomi não é o que pode ser considerado como uma marca famosa, ao menos por enquanto. Inclusive, parece até mais difícil pensar que uma companhia chinesa de gadgets pode competir com as marcas já estabelecidas no mercado.
A Xiaomi, cujo nome em mandarim significa “grãozinho de arroz” (em uma tradução livre), fabrica dispositivos com Android a preços baixos e tem muitos “fãs” na sua terra natal. Porém, como até o presente momento ela mantinha o foco no mercado asiático, especificamente na China, em Hong Kong e na Tailândia, a corporação não é largamente conhecida mundo afora.
No entanto, a recente contratação de Hugo Barra (antigo funcionário da Google, conhecido como “a cara do Android”) como o seu vice-presidente mostra as pretensões da empresa em expandir o seu mercado consumidor. Mas o que torna a companhia tão querida na China será explicado nos tópicos a seguir, começando pela fundação da Xiaomi.

Um breve resumo sobre a Xiaomi

A Xiaomi é uma empresa chinesa que projeta, desenvolve e vende smartphones que utilizam como base o sistema operacional Android. A companhia foi fundada em 6 de junho de 2010 por Lei Jun, um dos investidores. Até o momento, a área de atuação da Xiaomi é o mercado chinês, e a empresa foi apelidada como a “Apple do Oriente” pela imprensa.
A companhia conta, até o momento, com 2.400 funcionários e um rendimento anual de aproximadamente US$ 2 bilhões. Outro fato interessante é que mesmo a empresa possuindo apenas três anos de vida, já está avaliada em aproximadamente US$ 10 bilhões. A Xiaomi teve o seu primeiro produto lançado em Agosto de 2011, um telefone celular conhecido como Mi1.
Lei Jun e Hugo Barra na IFALei Jun e Hugo Barra (Fonte da imagem: The Wall Street Journal)
O mais surpreendente na ocasião foi que o estoque do aparelho se esgotou em apenas dois dias. Em agosto de 2012, a companhia lançou o seu segundo modelo, o Mi-2, repetindo o sucesso nas vendas e finalizando o estoque inicial em pouquíssimo tempo (agora, também com as versões 2A e 2S). Atualmente, a Xiaomi já lançou um produto conhecido como Red Rice e, também anunciou o Mi-3, ambos com especificações bem robustas.
A interface adotada pelos smartphones da empresa, a MIUI, também se tornou bastante popular, especialmente por ser largamente personalizada, algo que normalmente chama muito a atenção dos consumidores. Adicionalmente, ela recebe atualizações constantemente, com adaptações sugeridas nos feedbacks recebidos pela Xiaomi.
Mi-3 ou Miphone 3o Mi-3 ou Miphone 3 (Fonte da imagem: Divulgação/Xiaomi via Facebook)
Além disso, a companhia também iniciou a sua expansão em produtos com o anúncio da sua primeira Smart TV. A Xiaomi possui entre os seus funcionários ex-colaboradores da Microsoft e da Motorola e, recentemente, contratou Hugo Barra, que antes era o diretor de produtos da Google para a plataforma Android, como o seu vice-presidente.
De acordo com o CEO da companhia, Lei Jun, até a primeira metade de 2013 a Xiaomi já havia dobrado os lucros obtidos com vendas no ano de 2012 e é esperado que a corporação ultrapasse a marca de US$ 20 milhões em vendas até o final do ano. Embora atualmente a empresa não seja ainda muito conhecida fora da China, ela pretende, em breve, alcançar os mercados internacionais.

Qualidade e preço baixo

Embora Lei Jun encoraje a comparação com a companhia da Maçã (porém deixando claro que eles não são uma “copiadora” de produtos), a filosofia principal da empresa está em oferecer aparelhos de alta qualidade a preços mais baixos. Mesmo que outras corporações chinesas, como a Huawei e a Lenovo vendam mais smartphones do que a Xiaomi, o hardware delas não pode nem sequer ser considerado competição ao que a nova gigante oferece.
Pode-se dizer que a empresa quebrou paradigmas ao lançar os seus produtos, provando que você não precisa cobrar caro para obter lucros. Alguns exemplos estão no Red Rice, que conta com um processador quad-core MediaTek, tela Gorilla Glass 2 de 4,7 polegadas de 720p (312 ppi), 1 GB de memória RAM e 4 GB de espaço de armazenamento. Ele tem uma câmera traseira de 8 megapixels e roda Android com interface MIUI. Tudo pelo preço de US$ 130.
O Red RiceRed Rice (Fonte da imagem: Divulgação/Xiaomi)
Mesmo o smartphone mais recente da companhia, o Mi-3, com especificações também impressionantes, tem como valor de mercado US$ 327. A empresa manteve a coerência nos valores praticados também com o anúncio de outros produtos. Recentemente, a Xiaomi divulgou a sua primeira Smart TV, com 47 polegadas, tecnologia 3D e utilizando como plataforma o Android, com suporte a streaming de programas e o uso de jogos, pelo valor de US$ 490.
Por ter o seu foco na qualidade do hardware, mas com preços acessíveis, a Xiaomi conquista não só os consumidores que procuram produtos com baixo custo, mas também aqueles que reconhecem a robustez dos smartphones. Segundo a empresa de análises TrendForce, a Xiaomi possui uma estratégia de mercado diferente, o que torna possível a sua prática de valores para os produtos.
Xiaomi TVXiaomi TV (Fonte da imagem: Divulgação/Xiaomi)
Ela adota como base três pontos principais, sendo o primeiro deles é o anúncio dos produtos com bastante antecedência. Assim, até o lançamento propriamente dito, já houve uma queda no preço dos componentes. O segundo é que a companhia controla o seu estoque de forma eficiente, estimando a sua produção inicial conforme os pedidos previamente agendados pelo seu site. Dessa forma, a empresa não corre o risco de não ter um volume de vendas tão grande quanto o esperado.
A empresa costuma vender lotes de 200 a 300 mil smartphones por vez, todos previamente solicitados na página da companhia. Porém, a demanda é tão grande que há um grupo de aproximadamente 2 milhões de clientes ainda em espera para adquirir um gadget da Xiaomi. Como terceiro ponto forte há o marketing pessoal, principalmente na “propaganda boca a boca” de quem adquiriu um aparelho da empresa, o que reduz o custo com material publicitário.

Ouvindo os consumidores

Outro ponto no qual a Xiaomi pode ser comparada com a Apple está na quantidade e na lealdade dos fãs adquiridas pela companhia, embora os motivos sejam diferentes. Os consumidores representam uma uma parte importante do ecossistema da empresa, que leva em conta o que eles têm a dizer com relação aos seus produtos, considerando tanto aspectos relacionados hardware quanto ao software.
Ao contrário de várias corporações (incluindo a companhia da Maçã), a empresa obteve a atenção de muitas pessoas que estavam insatisfeitas com características dos seus aparelhos, mas que nunca foram ouvidas por outras fabricantes. A dedicação da Xiaomi com os clientes pode ser vista especialmente no que diz respeito à sua interface, a MIUI.
Xiaomi: como a nova gigante chinesa quer dominar o mundo dos celularesConsumidores aguardando evento de lançamento da Xiaomi (Fonte da imagem: Divulgação/Xiaomi via Facebook)
A MIUI está agora na sua versão 5 e, além de já ser bem flexível no quesito personalização, recebe atualizações semanalmente, incorporando modificações sugeridas por consumidores. Inclusive, uma das mudanças de interface veio do ponto de vista dos jornalistas chineses da Computerworld, que, em uma entrevista com Lei Jun, sugeriram que seria interessante poder fazer gravações com o smartphone em modo silencioso.
Inclusive, durante a entrevista citada acima, o CEO reforça essa ideia de que os clientes são parte importante do processo. De acordo com Lei Jun, “cada consumidor se torna parte do seu grupo de pesquisa e desenvolvimento, cada indivíduo se torna um dos seus vendedores, cada pessoa se torna seu amigo, essa é a companhia que queremos fazer”.
Tal característica ajuda tanto a empresa a pensar em maneiras de melhorar os seus produtos quanto também desenvolve um clima de “amizade” com os clientes, o que faz com que eles fiquem cada vez mais leais à empresa.

Obtendo lucro com produtos de baixo custo

A Xiaomi está provando na prática que é possível vender um produto com uma margem de lucro pequena e ainda assim alcançar grandes retornos. De acordo com o cofundador da companhia, Bin Lin, a corporação está mais preocupada em oferecer serviços aos seus consumidores como uma forma de obter lucro.
Uma das políticas praticadas pela empresa é, em vez de lançar um novo smartphone a cada seis meses, manter o mesmo produto no mercado por um período um pouco mais longo de tempo, chegando a 18 meses. Dessa maneira, eles possuem mais tempo para vender acessórios, como capas protetoras e fones de ouvido.
Assim, embora a linha de produtos não possua muitas variações, os clientes podem adquirir uma série de itens complementares, como carcaças de cor diferente e até mesmo baterias de tipo variado quando fazem a compra do seu smartphone. Além disso, a interface MIUI é extremamente personalizada e possui temas diferentes que podem ser adquiridos pelos clientes.
Adicionalmente, a Xiaomi também oferece serviços de mensagens “em nuvem”, sistema de segurança para os dispositivos e funcionalidades de backup. Além disso, a empresa também possui como fonte de faturamento publicidade vendida na sua plataforma.

Buscando novos rumos

Neste ponto já está claro o motivo pelo qual a companhia tem obtido tanto sucesso. Grande parte disso se deve ao atendimento ao cliente em todos os pontos do processo de desenvolvimento do produto. Embora de certa maneira isso represente um controle menor sobre os seus gadgets, é um conceito que outras empresas não costumam aplicar.
Além disso, o grande atrativo de comprar um produto de alta qualidade com um preço baixo também pode ser considerado como um diferencial. Porém, enquanto parte do sucesso da corporação na China está em vender produtos diretamente aos consumidores por meio do seu site, o mercado ocidental ainda é bastante influenciado pela compra nas lojas ou em operadoras.
Certamente essa é uma das barreiras a serem transpostas, visto que, de acordo com algumas declarações fornecidas por representantes da companhia, há a pretensão de expandir as suas vendas para cinco novos mercados no próximo ano. Entretanto, certamente, a Xiaomi conta com a experiência de Hugo Barra para alcançar os seus objetivos e buscar novos horizontes.
Não há como negar que o destaque adquirido pela empresa em tão pouco tempo é notável e, caso ela fosse uma companhia norte-americana, certamente já seria vista como uma grande competidora no mercado dos smartphones. É bem possível que a empresa consiga obter sucesso em mercados novos, no entanto ainda é muito cedo para tirar conclusões precipitadas.
Possivelmente, um dos próximos passos da empresa estará em combinar as experiências obtidas com o trabalho realizado até agora e fazer algumas adaptações para alcançar o público consumidor em outras partes do mundo.

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